Os soldados que lutaram ao lado dos pracinhas
Quando se fala da FEB na Itália, quase sempre se fala de Monte Castelo. Mas os brasileiros não estavam sozinhos naquelas montanhas. Na mesma ofensiva lutava uma divisão americana treinada para escalar, esquiar e combater no frio.
Por Pracinhas · 30 de outubro de 2026
Uma divisão feita para a montanha
Em 1942, o Exército dos EUA construiu o Camp Hale, no Colorado, para formar suas primeiras tropas de esqui e montanha. A inspiração veio da Guerra de Inverno (1939-40), quando soldados finlandeses, em menor número, humilharam os soviéticos com furtividade, esqui e resistência ao frio.
Nasceu assim a 10ª Divisão de Montanha. No começo, procuravam-se esquiadores e alpinistas experientes. Com a guerra exigindo cada vez mais homens, muitos recrutas chegaram sem nunca ter visto neve. Mesmo assim, aprendiam a escalar, a sobreviver ao inverno e a lidar com mulas e cães de trenó. O treinamento incluía manobras de três semanas em temperaturas muito abaixo de zero.
A Itália e a Linha Gótica
No fim de 1944, a divisão embarcou para a Itália. A missão era tomar o Monte Belvedere, peça-chave da Linha Gótica, a linha de defesa alemã nos Apeninos. Os Aliados já haviam tentado e falhado.
A 10ª Divisão fez diferente. Na noite de 18 de fevereiro de 1945, usou o treino de montanhismo para escalar os penhascos de Riva Ridge, que os alemães consideravam intransponíveis, e atacou de surpresa. Enquanto o 86º Regimento segurava os contra-ataques, os engenheiros montaram um teleférico de 550 metros que reduziu a evacuação de feridos de três horas para cinco minutos.
Com Riva Ridge garantida, veio o ataque noturno a Belvedere.
E os brasileiros?
Aqui entra a nossa história. No ataque a Belvedere, a divisão americana contou com o apoio da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, a FEB. Em paralelo, os pracinhas atacavam Monte Castelo, e a queda dessas posições, quase simultânea, ajudou a abrir caminho pelos Apeninos.
O preço foi alto para todos os Aliados. Só em Belvedere foram 923 baixas: 192 mortos, 730 feridos e um prisioneiro. Mas o objetivo foi cumprido e o avanço seguiu.
Do Vale do Pó ao fim da guerra
Depois da Linha Gótica, a divisão ainda enfrentou a “Ofensiva de Março” e a “Ofensiva de Primavera”, esta última a mais sangrenta: 286 mortos e 1.047 feridos. Seguiu pelo Vale do Pó, chegou ao Lago de Garda em 27 de abril e, poucos dias depois, as forças alemãs na Itália se renderam. A guerra na Europa terminou em 8 de maio de 1945.
Por que isso importa
Os pracinhas não lutaram isolados. Fizeram parte de uma campanha aliada em que unidades de países diferentes enfrentaram o mesmo inimigo, o mesmo frio e a mesma montanha. Conhecer quem estava ao lado deles ajuda a dimensionar o que a FEB realizou.
Hoje, o lema da 10ª Divisão é “Climb to Glory” (“Subir para a Glória”). Para quem carrega a memória dos pracinhas, combina bem com a história.
